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title: "St. Bernardus Abt 12: Notas de degustação e harmonizações recomendadas por um sommelier de cerveja"
description: "O topo do portfólio da St. Bernardus é uma cerveja de cor escura e espuma marfim de fermentação alta, que se bebe facilmente pelo seu sabor suave e aroma frutado."
url: https://www.thebeertimes.com/pt-br/st-bernardus-abt-12-notas-de-degustacao/
date: 2025-01-15
modified: 2026-06-12
author: "Carlos Uhart M."
image: https://www.thebeertimes.com/wp-content/uploads/2020/07/st_bernardus_abt_12.jpg
categories: ["Opinião"]
tags: ["Bélgica", "Estilos de Cerveja", "Notas de Degustação", "Opinion", "Tasting Beer"]
type: post
lang: pt
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# St. Bernardus Abt 12: Notas de degustação e harmonizações recomendadas por um sommelier de cerveja

O topo do portfólio da St. Bernardus é uma cerveja de cor escura e espuma marfim de fermentação alta, que se bebe facilmente pelo seu sabor suave e aroma frutado.

!(https://www.thebeertimes.com/wp-content/uploads/2020/07/st_bernardus_abt_12.jpg)*St Bernardus 12 Abt*

## Informação geral

**Nome:** St. Bernardus Abt 12

**Cervejaria: **(http://www.sintbernardus.be/)

**Origem: **Watou, Bélgica

**Estilo: **Belgian Dark Strong Ale

**ABV:** 10%

**IBU:** 20

**Calorias:** 300 kcal

**Cristaleria: **(https://www.thebeertimes.com/la-cerveza-vaso-a-vaso-caliz/), (https://www.thebeertimes.com/la-cerveza-vaso-a-vaso-tulipa/)

## Notas de degustação e impressões

A St. Bernardus Abt 12 é uma cerveja escura, opaca, densa e potente (10% ABV), mas equilibrada no sabor, suavizada pela água ligeiramente doce e pela segunda fermentação na garrafa, que lhe confere um corpo redondo e equilibrado.

### 1. Aparência

Cor marrom escura de tonalidades e perfil cobreado, opaca e algo turva, que ainda permite visualizar uma viva carbonatação sob uma espuma de tamanho médio, cor marfim, clara, leve, arejada, com bolhas que se vão abrindo e decaindo rápido, mas que assentam numa cobertura mais fina e cremosa que acompanha o beber.

### 2. Aroma

Aromas maltados e intensos de grão doce, com ésteres de frutos negros desidratados, macerados em álcool, de passas, ameixas e figos, caramelo escuro e melaço, torrados a casca de pão, muito sutis de baunilha e mel, tudo emoldurado numa sensação licorosa suave e integrada que não busca monopolizar a atenção.

### 3. Sabor

Evolui numa mistura de maltosidade granulada e de frutos secos escuros, de passas e ameixas que evoluem para um dulçor médio de açúcar mascavo e açúcar caramelizado, sempre de mãos dadas com uma presença alcoólica que acompanha do início ao fim, mas que se destaca para o final, invertendo o equilíbrio prévio e expressando-se de forma mais intensa, conseguindo ainda encaminhar todas as suas características prévias para o retrogosto.

### 4. Sensação na boca

Corpo médio, suave e expedito, mas com uma estrutura que se faz sentir em toda a boca, carbonatação média-baixa, (https://www.thebeertimes.com/pt-br/o-que-e-adstringencia-e-qual-e-o-seu-papel-na-experiencia-sensorial-de-uma-cerveja/) e com uma calidez alcoólica que fecha, se estende e se assenta suavemente.

### 5. Impressão geral

A história diz que a cervejaria St. Bernardus nasceu exclusivamente para produzir as cervejas da Abadia de Saint-Sixtus de Westvleteren, portanto está fortemente ligada ao que hoje é considerada por muitos rankings como a melhor cerveja do mundo: (https://www.thebeertimes.com/pt-br/westvleteren-12-xii-notas-de-degustacao/) (compartilhemos ou não a ideia de que existe “a” melhor cerveja do mundo), uma categoria na qual a St. Bernardus Abt 12 também aparece por mérito próprio, mas que não exige atravessar o mundo para conseguir uma garrafa. Uma cerveja muito equilibrada e fácil de beber; desenvolve-se transparente, direta e transversal nas suas características, sem tentar ser presunçosa ou exagerada, lembrando-nos quanta complexidade pode haver na simplicidade. Não é difícil supor que se permita envelhecer em calma, para finalmente acompanhá-la com a mesma atitude.

## Harmonizações sugeridas

A St. Bernardus Abt 12 é uma cerveja rica em maltosidade e com notas frutadas que se complementam perfeitamente com uma ampla variedade de pratos.

### 1. Pratos principais

Um ensopado de carne bovina ou um rabo de touro à cordobesa serão excelentes acompanhantes da maltosidade e sabores de frutos secos da cerveja, cujo dulçor, além disso, equilibrará o sabor profundo do ensopado.

### 2. Queijos

Queijos curados, como o gouda envelhecido ou o cheddar forte, harmonizam perfeitamente com as notas maltadas e de caramelo da cerveja, que realçam a complexidade dos queijos, suavizando ao mesmo tempo os sabores intensos.

### 3. Pratos vegetarianos

Uma lasanha de berinjela ou um pastel de legumes com base cremosa de queijo complementam harmoniosamente com as notas de frutos secos e o dulçor caramelizado da cerveja.

### 4. Sobremesas

Sobremesas à base de chocolate escuro, como um mousse ou uma torta de chocolate amargo, são harmonizações ideais para esta cerveja, graças às suas notas de melaço e caramelo, complementando a riqueza do cacau.

## Perguntas frequentes (FAQ)

### 1. Qual é a diferença de levedura entre a St. Bernardus Abt 12 e a Westvleteren 12 atual?

Embora ambas compartilhem a mesma receita histórica, a diferença principal reside no fungo microscópico encarregado de fermentá-las. A St. Bernardus Abt 12 continua utilizando de forma exclusiva a cepa de levedura original de Westvleteren de meados do século vinte, a qual compraram legalmente durante seu período de licença. Por outro lado, a Westvleteren 12 atual, que os monges produzem na abadia, utiliza a levedura de seus vizinhos de Westmalle, o que gera sutis diferenças nos perfis de ésteres frutais durante a fermentação de cada uma.

### 2. Por que esta cerveja de 10% de álcool é percebida como suave e fácil de beber no paladar?

Esta alta capacidade de consumo é conseguida por meio da combinação de dois fatores técnicos: a água local e a técnica da segunda fermentação dentro da garrafa. A água subterrânea de Watou possui um perfil mineral sutilmente doce que suaviza a firmeza dos maltes torrados. Além disso, o recondicionamento final na garrafa permite que a levedura consuma os últimos açúcares num ambiente controlado, integrando o álcool de forma ótima na estrutura do líquido e evitando sensações pontiagudas ou agressivas na garganta.

### 3. O que o chocolate amargo contribui ao interagir com as notas de melaço da St. Bernardus Abt, 12?

A harmonização com sobremesas de cacau escuro opera sob o princípio de afinidade química dos compostos torrefatos. Os maltes especiais utilizados na fervura desta Belgian Dark Strong Ale desenvolvem notas complexas de melaço, açúcar caramelizado e açúcar mascavo que emulam o perfil dos açúcares torrados. Ao prová-la junto a um chocolate amargo, a cerveja fornece o dulçor necessário para mitigar a adstringência natural do cacau, enquanto os ésteres de ameixas e passas adicionam uma camada frutal que transforma a experiência numa harmonização extremamente elegante.

### 4. Como evolui o sabor desta cerveja se for submetida a um processo de guarda em adega?

Devido à sua elevada concentração alcoólica e à presença de levedura viva, a St. Bernardus Abt 12 é uma candidata perfeita para o envelhecimento em garrafa. Se armazenada na posição vertical, a uma temperatura constante de doze graus Celsius e em total escuridão, o amargor inicial e a presença licorosa irão diminuir gradualmente. Após um período de dois a cinco anos, a cerveja desenvolve uma complexidade superior, transformando suas notas frutais frescas em descritores maduros que lembram o vinho do Porto, o xerez envelhecido e o couro.

### 5. Por que se recomenda servir a St. Bernardus Abt 12 num copo do tipo cálice ou copão de abadia?

O design do cálice de vidro grosso e boca extremamente larga cumpre duas funções técnicas vitais para esta cerveja densa. Em primeiro lugar, a grande abertura permite uma oxigenação imediata que ajuda a volatilizar e expandir os complexos aromas de frutos negros e melaço para o nariz do degustador. Em segundo lugar, a amplitude da borda distribui o gole de maneira uniforme por toda a língua, permitindo equilibrar o marcado dulçor inicial do açúcar candi com a subida alcoólica do final do gole.

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