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Uma recente descoberta arqueológica na França lançou nova luz sobre os complexos e variados ritos funerários da antiga Roma.

Sítio funerário romano
Sítio funerário romano

Em um sítio de 1.700 anos de antiguidade, uma equipe de arqueólogos desenterrou um antigo local funerário que revela uma prática até então desconhecida e profundamente simbólica de regar os mortos com bebidas alcoólicas como vinho e cerveja.

Um complexo funerário na antiga Olbia

A descoberta ocorreu em uma necrópole romana localizada na antiga cidade de Olbia, na França.

Os especialistas ficaram surpresos não apenas com a grande quantidade de tumbas, mas também com a riqueza simbólica e a sofisticação técnica dos gestos que acompanhavam a transição para a morte entre os séculos I e III d.C.

O aspecto mais distintivo do achado é a evidência de libações funerárias — o ato de derramar líquidos sagrados. Foram encontradas tumbas com canais tubulares que se estendiam da superfície até os ossos do falecido.

  • Esses canais foram projetados especificamente para permitir que os vivos derramassem líquidos como vinho, cerveja e outras bebidas e alimentos diretamente sobre o corpo ou os restos da pessoa falecida.
  • Esses fluidos atuavam como oferendas líquidas — um gesto para nutrir o falecido em sua jornada ao submundo ou para garantir seu bem-estar no além. O álcool, em particular, era considerado um componente essencial nesses rituais.

O Instituto Nacional de Pesquisas Arqueológicas Preventivas da França (INRAP) declarou em comunicado de imprensa:

Esses achados nos lembram que os antigos ritos funerários eram ricos, variados e imbuídos de múltiplos significados, alguns dos quais permanecem um mistério ainda hoje.

Vinho, cerveja e a conexão entre os mundos

O uso do vinho e de outras bebidas nos ritos funerários romanos era comum e fazia parte de banquetes rituais. Durante festividades como a Parentalia, os familiares se reuniam nos cemitérios para oferecer refeições e compartilhar vinho e doces com seus ancestrais.

As tumbas mais ricas costumavam ser construídas como “casas”, com uma sala decorada para esses banquetes.

A descoberta em Olbia, no entanto, adiciona uma camada de complexidade por meio dos canais diretos, que demonstram um esforço contínuo de compartilhar a bebida com o falecido de forma íntima e direta.

  • Os especialistas acreditam que a presença desses elaborados sistemas de libação em algumas tumbas e não em outras pode refletir distinções sociais, culturais ou econômicas claras entre os falecidos.
  • As libações de vinho não eram apenas um sacrifício nos funerais mais modestos; intensificavam-se durante as visitas comemorativas. Às vezes, uma pequena taça era colocada junto à entrada do canal tubular, sugerindo que as famílias continuavam fazendo oferendas em honra de seus entes queridos.

Essa prática sublinha a crença romana de que o mundo dos mortos não estava completamente separado do mundo dos vivos e que era essencial alimentar os ancestrais para que pudessem auxiliar a família neste mundo.

Perguntas frequentes (FAQ)

O que era uma libação funerária e por que era tão importante?

Uma libação é um ato ritual de derramar um líquido como oferenda a uma divindade ou em honra de um falecido. Na antiga Roma, as libações funerárias eram fundamentais.

Eram uma forma de honrar e apaziguar o espírito do morto (Manes) e de manter um vínculo entre os vivos e os ancestrais.

O vinho, a água, o leite ou o azeite eram os líquidos mais comuns, e acreditava-se que ao “dar de beber” ao falecido se o ajudava em sua passagem e se garantia sua benevolência para com a família.

Os romanos preferiam cerveja ou vinho?

O vinho (vinum) era a bebida por excelência no mundo romano, associado à cultura, ao status social e à bebida das elites. Era a bebida mais utilizada em rituais e celebrações.

No entanto, a cerveja (cervisia ou cervesia) era conhecida e consumida especialmente nas províncias do norte e do oeste, como a Gália — a atual França — e a Britânia. Era frequentemente considerada uma bebida das classes mais baixas ou dos povos “bárbaros”.

O fato de a cerveja aparecer nessas oferendas funerárias na França reforça a ideia de que nas províncias os costumes romanos se misturavam com as tradições locais.

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Author Carlos Uhart M.

Fundador e diretor da The Beer Times™. Certified Beer Server Cicerone©, Beer Judge BJCP e sommelier de cerveja. Autor de 'Guia Prático para Degustar Cerveja', 'Culinária e Coquetelaria com Cerveja' e outros quatro livros sobre harmonização e cultura cervejeira.

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