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As vendas de cerveja na América Latina mantêm um crescimento geral em todo o continente.

Bandeiras latino-americanas
Bandeiras latino-americanas

Segundo a firma Euromonitor, os consumidores identificam as marcas com as necessidades locais, o que as leva a se validar mais fortemente nos mercados.

Algumas análises sobre as atividades econômicas mais valiosas dos países latinos refletem claramente o fenômeno de valorização das marcas cervejeiras.

Um estudo anual realizado pela firma Kantar Millward Brown revela que, das seis marcas mais valiosas ao sul do continente americano, 5 são marcas de cerveja.

Essas marcas são apenas algumas das cervejas latinas mais reconhecidas. A seguir apresentamos aquelas que, país por país, são as mais vendidas ou consumidas pelos latino-americanos.

Argentina

Com uma participação de 67% do mercado de vendas de cerveja, a “Cervecería y Maltería Quilmes SAICA y G” domina o cenário na Argentina.

Seus produtos mais vendidos no mercado nacional são Brahma e Quilmes Clásica — anteriormente chamada Quilmes Cristal —, segundo a Euromonitor.

Recentemente, a empresa lançou o Patagonia Bar, seu próprio bar cervejeiro, promovendo além de suas marcas mais consolidadas sua linha premium liderada pela Patagonia — um movimento pouco ortodoxo, mas repetido várias vezes em todo o continente.

Bolívia

Desde 2016, a Bolívia experimentou um crescimento sem precedentes nas vendas de cerveja. Em 2017, foram vendidos 400 milhões de litros. A cerveja Paceña, da principal empresa cervejeira do país, Cervecería Boliviana Nacional, foi a mais vendida.

Parte de sua estratégia de marketing foi o lançamento da nova apresentação Macanuda, uma garrafa de 710 ml em contraste com a tradicional de 620 ml, que impulsionou o consumo per capita e ajudou nas vendas.

Brasil

Por muitos anos, o Brasil deteve a marca de cerveja mais valiosa, em linha com ser o maior país consumidor de cerveja da região. Internamente, as marcas Skol e Brahma são as marcas de cerveja mais vendidas no país.

Em 2017, o Brasil vendeu 12,5 bilhões de litros de cerveja — um número impressionante, mas inferior aos quase 14 bilhões de 2014, possivelmente refletindo uma transformação no comportamento dos consumidores de cervejas de produção em massa para cervejas de distribuição mais exclusiva.

Chile

Com as marcas Cristal e Escudo, a Compañía de Cervecerías Unidas lidera o mercado de vendas de cerveja no Chile. Em 2017, a empresa vendeu aproximadamente 930 milhões de litros, segundo a Euromonitor.

O mercado chileno apresentou um fenômeno comum em todo o continente: uma migração para cervejas mais artesanais ou premium. Apesar dessa transição, as marcas tradicionais continuam líderes. A CCU também fortaleceu sua presença internacional na Colômbia e na Argentina.

Colômbia

Sendo o terceiro país latino-americano que mais consome cerveja, as marcas de maior preferência na Colômbia são Águila e Póker.

A primeira aumentou suas vendas e incrementou seu valor em 2% em relação ao ano anterior, avaliando-se agora em 3.924 milhões de dólares.

México

Segundo a Euromonitor, o México é o segundo país que mais consome cerveja na região, com 52,1 litros per capita anuais, atrás apenas do Brasil.

Das marcas vendidas, Corona e Modelo são as preferidas. A cerveja Corona é a marca mais valiosa da América Latina.

Peru

A Unión de Cervecerías Peruanas Backus & Johnston SAA, subsidiária local do conglomerado Anheuser-Busch InBev, produz as duas cervejas mais vendidas no Peru: Pilsen Callao e Cristal.

A empresa peruana controla 96% do mercado, que naquele ano cresceu 5% em vendas. O portal Bunker reporta a Pilsen como a cerveja mais vendida no país.

Uruguai

A cerveja Pilsen da Fábricas Nacionales de Cerveza (FNC) é o produto cervejeiro líder do Uruguai. Segundo a Euromonitor, a FNC domina o mercado uruguaio com uma participação de 88%.

Venezuela

Apesar das dificuldades presentes na Venezuela, a Cervecería Polar mantém com seus produtos Polar Light e Polar Ice o estandarte das cervejas mais vendidas no país.

As dificuldades em obter matéria-prima de qualidade para a fabricação do produto causaram uma queda de 25% no volume total consumido em comparação com o ano anterior.

Esta é a cerveja mais vendida em outros países da região, segundo o portal de bebidas alcoólicas Vinepair:

Costa Rica

A cerveja mais vendida na Costa Rica é Imperial.

Equador

A cerveja mais vendida no Equador é Pilsener.

El Salvador

A cerveja mais vendida em El Salvador é Pilsener.

Guatemala

A cerveja mais vendida na Guatemala é Gallo.

Haiti

A cerveja mais vendida no Haiti é Prestige.

Honduras

A cerveja mais vendida em Honduras é Salva Vida.

Nicarágua

A cerveja mais vendida na Nicarágua é Toña.

Paraguai

A cerveja mais vendida no Paraguai é Brahma.

Perguntas frequentes (FAQ)

1. Qual país da América Latina tem o maior consumo per capita de cerveja?

Embora Brasil e México liderem em volume total, o maior consumo per capita é disputado historicamente entre México, Brasil e Colômbia, superando 65 litros por pessoa ao ano nos mercados mais ativos, impulsionados pelo clima, pelos formatos retornáveis econômicos e pelos hábitos culturais.

2. Quais multinacionais controlam o mercado cervejeiro na América Latina?

A grande maioria das marcas tradicionais da região pertence a dois gigantes globais. A AB InBev controla subsidiárias como Ambev (Brasil), Quilmes (Argentina), Backus (Peru) e Grupo Modelo (México). A Heineken possui forte presença operacional mediante a aquisição da divisão cervejeira da FEMSA no México e alianças estratégicas no Cone Sul via CCU.

3. Qual é a diferença técnica entre uma “Pilsen” massiva latino-americana e uma Pilsner europeia tradicional?

As “Pilsen” massivas latino-americanas pertencem tecnicamente ao estilo American Adjunct Lager. Ao contrário das Pilsner europeias (elaboradas com 100% de malte de cevada e lúpulos nobres), as versões massivas substituem parte da cevada por adjuntos não maltados como milho ou arroz, resultando em corpo mais leve, menos amargor e uma bebida altamente refrescante adaptada ao clima quente.

4. Como o crescimento da cerveja artesanal afeta as marcas tradicionais da América Latina?

O setor artesanal independente — representando 1% a 3% do volume total regional — acelerou um fenômeno de premiumização, obrigando as grandes corporações a diversificar seus portfólios adquirindo microcervejarias locais bem-sucedidas ou lançando linhas de especialidade próprias (IPA, APA, Amber Ale) sob marcas híbridas de distribuição em massa.

5. Como os impostos seletivos afetam o preço final da cerveja na região?

A cerveja suporta pesados impostos seletivos em toda a América Latina (como o IEPS no México, o ILA no Chile ou o ICE no Equador), além do IVA geral. Essas taxas podem representar entre 20% e 50% do preço final de venda, incentivando fortemente as marcas a promover formatos retornáveis para manter preços competitivos.

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Author Carlos Uhart M.

Fundador e diretor da The Beer Times™. Certified Beer Server Cicerone©, Beer Judge BJCP e sommelier de cerveja. Autor de 'Guia Prático para Degustar Cerveja', 'Culinária e Coquetelaria com Cerveja' e outros quatro livros sobre harmonização e cultura cervejeira.