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O Serviço Agrícola e Pecuário (SAG) do Chile tomou uma iniciativa para fomentar o desenvolvimento da Agricultura Familiar Camponesa (AFC) e reconhecer o tradicional “Pipeño” como uma bebida alcoólica única e distinta do vinho.

Nesse sentido, o SAG incluiu uma nova classificação genérica denominada “Pipeño” em seu Registro de Bebidas Alcoólicas.
A partir dessa medida, apenas as produtoras vitivinícolas que fazem parte da AFC nas regiões de Maule, Ñuble e Biobío poderão registrar seus produtos sob a denominação “Pipeño”.
O que é o pipeño?
Essa classificação considera o “Pipeño” uma bebida alcoólica obtida a partir da fermentação parcial do mosto de uvas frescas, elaborada segundo práticas enológicas autorizadas e com uvas de variedades viníferas.
Além disso, deve ter uma graduação alcoólica total de pelo menos 11,5 °GL e um teor de acidez volátil inferior a 1,5 g/L, expresso em ácido acético.
A graduação total soma o álcool já formado e o que resultaria do açúcar que permanece sem fermentar. Por isso, o teor alcoólico real do pipeño fica abaixo de 11,5 graus, e não é permitido adicionar água nem açúcar para alterar sua graduação ou sua doçura (SAG, 2024).
É importante destacar que o “Pipeño” deve ser produzido e envasado por pessoas físicas ou jurídicas pertencentes à Agricultura Familiar Camponesa, ou por cooperativas formadas por elas, localizadas nos municípios vitícolas das regiões mencionadas. Essas bebidas são comercializadas em unidades de consumo.
Para cumprir os requisitos da denominação “Pipeño”, os produtores devem informar ao SAG de sua jurisdição o volume de produto elaborado em cada safra.
Além disso, o produto não pode ser envasado até que obtenha uma qualificação analítica que comprove sua conformidade com os padrões exigidos para ser comercializado sob essa denominação.
Origem do pipeño chileno
Esse reconhecimento busca valorizar a identidade territorial e a tradição histórica associadas ao “Pipeño”, que surgiu no Chile no século XVIII, quando os barris de madeira (pipas) passaram a ser usados na zona sul do Vale Central (Lacoste et al., 2015).
Esse vinho típico da zona sul do Vale Central, entre os rios Maule e Biobío, é elaborado com variedades de uva como Moscatel de Alexandria para os brancos, Uva País para os rosés e tintos, e algumas variedades derivadas delas.
O “Pipeño” se destaca por ser um vinho artesanal produzido com métodos tradicionais, sem equipamentos sofisticados nem instalações modernas. Sua elaboração é simples e utiliza a pipa de carvalho chileno (raulí).
É um produto emblemático que faz parte da história social, econômica e cultural do Chile, ao lado de outros produtos típicos como o presunto de Chiloé, o queijo de Chanco e o vinho Asoleado de Cauquenes e Concepción.
Ao contrário dos produtos de alto custo voltados a um mercado de elite, o “Pipeño” é vendido nos mercados populares, o que o torna um símbolo da identidade e da tradição do povo chileno.
Com essa nova classificação e o apoio à Agricultura Familiar Camponesa, o SAG busca impulsionar e agregar valor às bebidas de pequena escala de produção, oferecendo uma alternativa diferente das categorias tradicionais de bebidas alcoólicas.
Pipeño e vinho pipeño são a mesma coisa?
Não. O pipeño da Resolución Exenta 4077/2023 é uma classificação genérica do Registro de Bebidas Alcoólicas do SAG, e não uma denominação de origem. É uma bebida de fermentação parcial que conserva parte do açúcar da uva.
O vinho pipeño segue a norma geral do vinho, com no mínimo 11,5 graus de álcool, e pode ser elaborado por qualquer produtor de qualquer região. Em setembro de 2024, o SAG esclareceu que as duas categorias podem conviver no mercado (SAG, 2024).
A primeira certificação de pipeño foi concedida pelo SAG em 27 de agosto de 2024 a José Neira Risopatrón, produtor de Guarilihue, no município de Coelemu, região de Ñuble. O pipeño também é a base do terremoto chileno, o coquetel com sorvete de abacaxi servido nas fondas.
Perguntas frequentes (FAQ)
1. O pipeño tem denominação de origem?
Não. Desde 2023, o SAG o reconhece como uma classificação genérica em seu Registro de Bebidas Alcoólicas, reservada a produtores da Agricultura Familiar Camponesa de Maule, Ñuble e Biobío.
2. Qual é a diferença entre o pipeño e o vinho pipeño?
O pipeño é uma bebida de fermentação parcial, com açúcar residual e teor alcoólico real abaixo de 11,5 graus. O vinho pipeño cumpre a norma do vinho, com pelo menos 11,5 graus, e pode ser produzido em qualquer região.
3. Quem pode elaborar pipeño no Chile?
Apenas pessoas físicas ou jurídicas da Agricultura Familiar Camponesa, ou cooperativas formadas por elas, nos municípios vitícolas de Maule, Ñuble e Biobío. Elas devem informar ao SAG o volume produzido em cada safra.
4. Com quais uvas se faz o pipeño?
Com uvas de variedades viníferas. A tradição usa sobretudo a Uva País para os tintos e rosés e a Moscatel de Alexandria para os brancos, junto com outras variedades crioulas.
5. De onde vem o nome pipeño?
Vem das pipas, os barris de madeira chilena em que o vinho era guardado. As primeiras pipas foram usadas no século XVIII na zona sul do Vale Central, e em Concepción eram fabricadas com raulí.
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