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Apesar de não se conhecer com absoluta certeza a origem destes nomes, uma das respostas mais comuns sobre as denominações Dubbel, Tripel e Quadrupel tem a ver com a forma como as bebidas alcoólicas eram antigamente identificadas.

Quando a maioria da população era analfabeta, a forma mais fácil de indicar o teor alcoólico de uma bebida era com uma certa quantidade de “X”.
Um “X” teria sido usado para o teor alcoólico mais leve, “XX”, “XXX” e “XXXX” sucessivamente para as versões mais fortes.
Assim sendo, um “X” indicava uma bebida de baixo teor alcoólico, “XX” uma bebida com o dobro de álcool, “XXX” uma com teor alcoólico triplo e “XXXX” uma com álcool quádruplo.
Contenido
- Teoria da MBAA
- Teoria da origem Westmalle
- Referência aos estilos de cerveja
- Aspectos relevantes relacionados
- Perguntas Frequentes (FAQ)
- 1. Qual é o significado do selo “Authentic Trappist Product” e qual a diferença para uma cerveja de abadia?
- 2. Se uma Tripel tem uma cor mais clara do que uma Dubbel, por que contém um teor alcoólico mais alto?
- 3. Qual é a função do açúcar candi belga na produção destes estilos de alta graduação?
- 4. A que temperatura as cervejas Dubbel, Tripel e Quadrupel devem ser servidas para apreciar os seus atributos?
- 5. Que tipo de copo é adequado para degustar estas cervejas de estilo mosteiro?
- Recomendamos
Teoria da MBAA
A MBAA (Master Brewers Association of the Americas) oferece para este caso uma teoria mais técnica sobre como estas cervejas teriam obtido seu nome com base na técnica de mosturação chamada parti-gyle.

Com esta técnica, extrai-se um primeiro mosto com um teor de açúcar fermentável de aproximadamente 22,5%. A segunda extração será menos forte, em torno de 15%, enquanto a lavagem final terminaria com um teor de açúcar de cerca de 7,5%.
Agora, em sentido inverso, obtêm-se mostos com proporções de açúcar de 2X e 3X em relação ao primeiro. Essencialmente, seria possível obter 3 cervejas com 3 graduações diferentes produzidas a partir do mesmo mosto.
E embora seja uma técnica quase em desuso, este sistema pode ser uma boa explicação histórica sobre como estes estilos obtiveram seus nomes.
Teoria da origem Westmalle
Uma terceira teoria afirma que a origem destes nomes se deve à denominação utilizada pelo mosteiro Westmalle, que até 1856 só produzia uma cerveja.

A partir desse ano, começaram a produzir uma segunda cerveja, que identificaram com o nome de Dubbel, e, depois, em 1956, uma terceira, que denominaram Tripel.
Cada cerveja era significativamente mais forte em álcool e sabor do que a anterior, sendo a partir daí que estes nomes se teriam popularizado em todo o mundo.
Mais tarde, a cervejaria Koningshoeven (La Trappe), na Holanda, produziu uma cerveja ainda mais forte, a que chamou Quadrupel, dando início a esta denominação que abrange cervejas tipo mosteiro com 10, 12 ou até 14% ABV.
Referência aos estilos de cerveja
Como referência (BJCP), estas são algumas das características que podemos encontrar em cada estilo.
Dubbel
ABV: 6 – 7,6. IBU: 15 – 25. SRM: 10 – 17. Cor âmbar escura, acobreada, cristalina, espuma volumosa, cremosa, esbranquiçada e duradoura. Aromas e sabores de malte, chocolate, caramelo e/ou torrado, ésteres frutados moderados e álcool suave.
Tripel
ABV: 7,5 – 9,5. IBU: 20 – 40. SRM: 4,5 – 7. Cor amarela/dourada profunda, cristalina e efervescente, espuma duradoura, cremosa e branca. Aromas e sabores condimentados, frutados e alcoólicos, caráter cítrico e amargor médio-alto.
Quadrupel (Belgian Dark Strong Ale)
ABV: 8 – 11. IBU: 20 – 35. SRM: 12 – 22. Cor âmbar/acobreada profunda, espuma grande, cremosa e persistente. Aromas e sabores complexos, de malte, ésteres e álcool significativo, caráter condimentado suave e baixo amargor.
Aspectos relevantes relacionados
É importante destacar o papel que os ingredientes e processos de produção desempenham na definição dos estilos Dubbel, Tripel e Quadrupel.
A seleção de maltes, leveduras e lúpulos é crucial para alcançar as características únicas de cada estilo.
1. Ingredientes
Os maltes utilizados na produção destas cervejas são geralmente do tipo Pilsen, Munich e Caramelo, que conferem os sabores e cores distintos.
As leveduras belgas, conhecidas pela sua capacidade de produzir ésteres e fenóis, são essenciais para os aromas frutados e condimentados. Os lúpulos, embora menos proeminentes do que noutros estilos, contribuem para o equilíbrio e o amargor.

2. Produção
A técnica de parti-gyle, embora historicamente relevante, foi substituída em muitas cervejarias por métodos mais modernos que permitem um maior controle sobre a densidade do mosto e o teor alcoólico final.
3. Contexto histórico
As cervejas trapistas têm uma rica história ligada aos mosteiros belgas e holandeses, os quais não só preservaram as tradições cervejeiras, mas também inovaram e adaptaram as suas receitas ao longo dos séculos.
A produção de cerveja nos mosteiros estava estreitamente relacionada com a vida monástica, sendo uma fonte de sustento e uma forma de hospitalidade para com os peregrinos.
4. Impacto na indústria moderna
Estes estilos belgas influenciaram significativamente a indústria cervejeira moderna, com muitas cervejarias ao redor do mundo adotando e adaptando estes estilos, criando versões que respeitam as tradições enquanto incorporam ingredientes e técnicas locais.
Perguntas Frequentes (FAQ)
1. Qual é o significado do selo “Authentic Trappist Product” e qual a diferença para uma cerveja de abadia?
Nem todas as cervejas Dubbel, Tripel ou Quadrupel são trapistas. A denominação “Cerveja de Abadia” é um termo comercial que qualquer cervejaria pode usar se se inspirar nos estilos belgas tradicionais ou se tiver um acordo de licença com um mosteiro não trapista. Por outro lado, o selo “Authentic Trappist Product” (ATP) é uma certificação legal rigorosa concedida pela Associação Trapista Internacional. Para obtê-lo, a cerveja deve ser produzida obrigatoriamente dentro dos muros do mosteiro pelos próprios monges ou sob sua supervisão direta, e os lucros devem ser destinados ao sustento da comunidade monástica e a obras de caridade.
2. Se uma Tripel tem uma cor mais clara do que uma Dubbel, por que contém um teor alcoólico mais alto?
É um mito comum pensar que cor escura equivale a maior teor alcoólico. As cervejas Dubbel obtêm sua cor âmbar/acobreada do uso de maltes especiais torrados e, fundamentalmente, de açúcares escuros (como o açúcar candi belga caramelizado), mas mantêm uma densidade moderada. As Tripel, por outro lado, utilizam quase exclusivamente maltes Pilsen muito claros, mas numa quantidade de grão por litro significativamente maior, complementada com açúcar candi branco ou translúcido. Isto fornece uma enorme quantidade de açúcares fermentáveis que a levedura transforma num elevado volume de álcool (7,5% – 9,5%), mantendo a cor dourada e brilhante característica do estilo.
3. Qual é a função do açúcar candi belga na produção destes estilos de alta graduação?
O açúcar candi (açúcar de beterraba invertido por meio de calor) é um ingrediente crítico na tradição belga. Se os cervejeiros tentassem atingir os altos níveis de álcool de uma Tripel ou Quadrupel utilizando apenas malte de cevada, o corpo da cerveja resultaria excessivamente denso, doce e enjoativo. O açúcar candi é 100% fermentável pela levedura trapista; isto permite elevar o teor alcoólico e secar o perfil final da cerveja, fazendo com que bebidas de 9% ou 10% ABV mantenham uma alta bebibilidade (o que os belgas chamam de “digeste” ou leveza na boca) sem saturar o paladar.
4. A que temperatura as cervejas Dubbel, Tripel e Quadrupel devem ser servidas para apreciar os seus atributos?
Estas cervejas nunca devem ser servidas extremamente frias, pois as baixas temperaturas adormecem os receptores da língua e congelam os ésteres e fenóis aromáticos gerados pela levedura belga. A regra geral é servi-las entre 8°C e 12°C (as Dubbel e Tripel na faixa inferior e as complexas Quadrupel na faixa superior). A esta temperatura, o álcool é percebido de forma integrada e quente, em vez de agressiva, permitindo que floresçam as complexas notas de frutas secas, especiarias, cravo e banana.
5. Que tipo de copo é adequado para degustar estas cervejas de estilo mosteiro?
O recipiente ideal para os três estilos é o cálice. Estes copos caracterizam-se por ter um vidro grosso, uma haste robusta e, fundamentalmente, uma boca muito larga e aberta. Este design não só presta homenagem à origem mística e monástica da bebida, como cumpre duas funções técnicas: permite uma rápida libertação dos aromas complexos e facilita que a enorme e cremosa espuma se expanda uniformemente, quebrando o excesso de carbonatação em cada gole.
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