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Embora hoje em dia se chame “loura” qualquer cerveja dourada e transparente, houve um tempo em que loira só havia uma, e é Pilsner Urquell (Plzeňský Prazdroj), a primeira da história.

Até então, as cervejas eram turvas e escuras, a ponto de ninguém sequer se atrever a servi-las em copos transparentes.
Contenido
- A história da Pilsner Urquell
- Joseph Groll: O pai da Pilsner Urquell
- Como a Pilsner Urquell foi desenvolvida?
- Pilsner Urquell salta à fama
- A origem do nome Pilsner Urquell
- Perguntas frequentes (FAQ)
- 1. É possível encontrar Pilsner Urquell fora da República Tcheca?
- 2. Qual é a diferença entre uma Pilsner tcheca e uma alemã?
- 3. Ainda utiliza os métodos tradicionais de produção?
- 4. Quanto ABV tem a Pilsner Urquell?
- 5. Por que é importante que o tipo de água seja macia?
- 6. É possível visitar a cervejaria Urquell?
- Recomendamos
A história da Pilsner Urquell
A origem da Pilsner Urquell remonta a meados do século XIX na cidade tcheca de Plzeň (Pilsen), quando, em 1838, após uma série de protestos cidadãos que incluíram o derramamento de barris devido à baixa qualidade das cervejas que se produziam na cidade, vizinhos e empresários decidiram se associar no que se denominou Bürgerliches Brauhaus (Cervejaria dos Cidadãos).
Seu objetivo era buscar uma maneira de produzir cerveja de maior qualidade a partir de um método que lhes permitisse manter um padrão ao longo do tempo.
A primeira grande decisão desta nova associação foi a de contratar um jovem arquiteto chamado Martin Stelzer, para que projetasse a fábrica onde até hoje se continua produzindo a cerveja que leva o nome da cidade.
Stelzer, após percorrer metade da Europa em busca das últimas inovações em termos de design de cervejarias, escolheu uma localização nos arredores da cidade, às margens do rio Radbuza.
Este lugar reunia as qualidades necessárias para o projeto: um solo de rocha arenosa fácil de escavar para a construção de túneis que permitissem o armazenamento frio, que, além disso, estava rodeado de aquíferos que forneceriam água macia de qualidade.
Mas, finalmente, a chave para o nascimento da primeira Pilsner — de Pilsen, nome que adquiririam todas as cervejas que a imitaram e imitam até hoje — foi a contratação do mestre cervejeiro Joseph Groll, o autêntico artífice desta bebida dourada por excelência.
Joseph Groll: O pai da Pilsner Urquell
Josef Groll era um mestre cervejeiro bávaro, nascido em 1813 na localidade de Vilshofen, a nordeste de Munique.
Groll era filho de um bem-sucedido cervejeiro local e, desde muito jovem, se dedicou ao negócio da família, chegando rapidamente a ser reconhecido por seu talento na produção de cerveja.

Formado na Alemanha e Áustria, dizia-se que era um tipo rude e mal-humorado, a quem seu próprio pai chegaria a chamar de “o homem mais grosseiro da Baviera”, mas, ao mesmo tempo, era muito trabalhador, aplicado e meticuloso, alguém que gostava de controlar detalhadamente todo o processo de produção de cerveja.
Foi assim que, em 1842, aos 29 anos de idade, foi recrutado por Martin Stelzer para trabalhar por um ano na nova cervejaria, com a condição de que, uma vez finalizado, o contrato não seria renovado.
Como a Pilsner Urquell foi desenvolvida?
A nova cerveja desenvolvida por Groll deveria basear-se em três pilares fundamentais.
1. Levedura lager
Primeiro, Groll conseguiu introduzir clandestinamente uma carga de levedura alemã para fermentação lager, pois as leis germânicas proibiam o comércio dela para preservar suas vantagens comerciais.
Conta a lenda que a levedura conhecida como Pilsner “H” foi vendida a Groll por um monge que a extraiu clandestinamente de um mosteiro para saldar uma dívida.

Desde aproximadamente o século XVI, os cervejeiros bávaros que armazenavam suas cervejas em cavernas alpinas tinham percebido que as baixas temperaturas faziam com que a levedura se depositasse no fundo dos tonéis, tornando-se mais estável, resultando em uma cerveja de cor mais pálida.
Esta foi a origem das cervejas de fermentação baixa ou lager (“lagering” significa literalmente armazenar frio em alemão) e um dos segredos fundamentais que Josef Groll trouxe para Plzeň.
2. Matérias-primas
Somada à qualidade da água, especialmente macia, Groll também quis tirar partido da excepcional cevada da Morávia, que até hoje é maltada na própria fábrica para obter um malte muito pálido.

A levedura trabalharia sobre uma variedade de malte local conhecida como Haná, que já não seria secada sobre o fogo como era costume, mas com o revolucionário método do forno de ar, com o que se preservariam melhor suas qualidades e permitiria manter uma cor clara na cerveja.
Por fim, combinar-se-ia a mistura com os magníficos lúpulos da região de Saaz (denominação alemã para a região tcheca de Žatec, perto de Plzeň), que conferem à cerveja aquele aroma e amargor característicos.
3. Inovações
Além da crucial mudança de fermentação, foram introduzidas outras mudanças radicais, como o uso de caldeiras de cobre aquecidas diretamente ao fogo, o que caramelizaria levemente o malte durante a fervura.
Pilsner Urquell salta à fama
Foi em 5 de outubro de 1842 que Joseph Groll produziu o primeiro lote da nova cerveja e foi em 11 de novembro de 1842 que a apresentou pela primeira vez diante dos olhos atônitos dos presentes no Mercado de São Martinho de Plzeň.

Ninguém jamais tinha visto uma cerveja com uma aparência tão bela, dourada e brilhante, com sua cremosa espuma branca, mas, acima de tudo, com seu fino e delicado sabor.
Esta nova cerveja ganhou fama internacional rapidamente e, em poucos anos, se espalhou pela zona oeste da Boêmia, para depois conquistar Viena em 1856 e França em 1862.
A chegada da ferrovia nesse mesmo ano foi um ponto de inflexão no crescimento da empresa, que foi aumentando exponencialmente até produzir um milhão de hectolitros anuais e estar presente em 34 países pouco antes de estourar a I Guerra Mundial.
A origem do nome Pilsner Urquell
Após o rotundo sucesso de vendas que significou a nova cerveja Pilsner, rapidamente outros produtores se dedicaram a imitá-la, proclamando-a também como cerveja Pilsner, mesmo se não fosse fabricada na referida cidade, a ponto de se tornar uma maneira de se referir a um tipo de cerveja.
É por isso que, no final do século XIX, foi necessário proteger a marca destes produtos genéricos e se decidiu incorporar a palavra “Urquell” ao nome, que literalmente significa “da fonte original”, um termo que os donos dos bares que já serviam esta Pilsner haviam começado a utilizar para atrair clientela e que, em 1898, a cervejaria adotou definitivamente.
Perguntas frequentes (FAQ)
1. É possível encontrar Pilsner Urquell fora da República Tcheca?
Atualmente, a Pilsner Urquell é distribuída em mais de 50 países, podendo ser encontrada em lojas especializadas, supermercados premium e bares com carta de cerveja internacional.
2. Qual é a diferença entre uma Pilsner tcheca e uma alemã?
A pilsner tcheca, como a Urquell, tende a ser mais maltada e menos seca do que sua contraparte alemã, com um amargor mais suave e redondo graças ao lúpulo Saaz.
3. Ainda utiliza os métodos tradicionais de produção?
Embora sem dúvida tenha incorporado tecnologia moderna, a Urquell mantém a base do processo original, incluindo o uso de barris de madeira.
4. Quanto ABV tem a Pilsner Urquell?
Tem um volume alcoólico de 4,4%, o que a torna uma cerveja leve e fácil de beber.
5. Por que é importante que o tipo de água seja macia?
A água macia permite que os sabores do malte e do lúpulo se expressem com maior clareza, sem adicionar dureza mineral ao paladar.
6. É possível visitar a cervejaria Urquell?
A cervejaria em Plzeň oferece visitas guiadas, degustações e passeios históricos, sendo um dos destinos turísticos cervejeiros mais importantes da Europa.
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