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Por Cornelia Schramm
Quando Georg Schneider reflete sobre sua bisavó Mathilde, não consegue evitar um sorriso, relembrando os beijos que recebia dela durante a infância.

“Ela era carinhosa, mas também rigorosa”, diz com nostalgia. No entanto, é evidente que a marca Schneider Weisse deve muito à sua influente personalidade.
A cervejaria, que hoje tem sede em Kelheim, ainda mantém profundas raízes em Munique, onde Georg Schneider carrega com orgulho o legado de ser a sexta geração a liderar a cervejaria.
É no Weisses Bräuhaus, ao lado de seu filho, que eles desfrutam de uma Aventinus, marcando o início da temporada de cervejas fortes.
Tradição cervejeira familiar
A tradição familiar é palpável, pois foi a bisavó Mathilde quem criou esta especial cerveja de trigo Doppelbock em 1907, algo totalmente inovador para a época e que ainda hoje é uma raridade no mundo cervejeiro.
As cervejas fortes são relativamente comuns, mas muito poucas são de fermentação alta do tipo Aventinus.

Esta cerveja conquistou um lugar especial no coração dos clientes do Weisses Bräu im Tal, onde os fãs, conhecidos como “Aventinus-Buam”, a consomem durante todo o ano, mantendo essa tradição viva há 40 anos.
Além disso, esta especialidade bávara ultrapassou fronteiras e encontrou seguidores nos Estados Unidos, na Austrália e em outros 30 países para onde é exportada.
Seu perfil de sabor, que remete a tâmaras, figos e bananas maduras, com um toque apimentado, é sem dúvida amplamente apreciado pelos amantes da cerveja.
No entanto, sua agradável sensação de calor no peito pode ser enganosa, pois seu teor alcoólico de 8,2% ABV geralmente garante um ambiente animado na taverna.
Uma virada inesperada na história
A história de Mathilde Schneider (1877–1972) tomou um rumo trágico em 1905, quando seu marido Georg III sofreu um acidente no lago Starnberg.
Surpreendido por uma tempestade enquanto remava, o patriarca da cervejaria se encharcou, adoeceu e faleceu.
Sua vida aventureira foi encerrada abruptamente aos 35 anos, e rumores sugerem que Mathilde, de fé católica firme, chegou a especular que a morte prematura do marido poderia ter sido consequência de sua condição de protestante.
Mathilde se viu repentinamente responsável pela família e pela cervejaria, enfrentando a difícil tarefa de manter o negócio de pé na ausência do marido.
Apesar das leis que impediam uma mulher de dirigir uma cervejaria, Mathilde havia sido influenciada pelos movimentos feministas europeus que exigiam igualdade de direitos, e assim demonstrou sua tenacidade e visão ao nomear seu cunhado como diretor nominal, enquanto ela mesma conduzia os negócios nos bastidores.
O nascimento da Aventinus
Sua decisão de criar a Aventinus, uma cerveja de trigo forte chamada Doppelbock, marcou um marco na história da cervejaria, superando os obstáculos impostos por uma associação conservadora de cervejeiros que inicialmente rejeitou a ideia devido ao nome inspirado no historiador Johannes Aventinus.
A associação de cervejeiros vetou a nova Aventinus com o duvidoso argumento de que a cerveja deveria levar o nome de um santo, embora isso provavelmente fosse apenas um pretexto para impedir que a nova cerveja chegasse ao mercado.
Mas Mathilde manteve o nome e pediu ajuda a um padre da Igreja de St. Georg em Bogenhausen, a quem convenceu a fazer uma pesquisa.

Por fim, descobriram que uma das sete colinas de Roma leva o nome de um São Aventino muito pouco conhecido, de modo que a associação de cervejeiros teve de ceder e a inovação de Mathilde chegou ao mercado, tornando-se um sucesso comercial.
Hoje, a Aventinus não é apenas um símbolo da perseverança e inovação de Mathilde Schneider, mas também uma das cervejas mais premiadas da Europa.
Georg Schneider VII, de 28 anos, mestre cervejeiro e membro da equipe de gestão, destaca a importância da dupla fermentação, da maturação com levedura cultivada e do mosto fresco para obter o perfil único da Aventinus.
Essa dedicação à qualidade e à inovação continua a inspirar as novas gerações da família Schneider, como Georg VII, que recentemente introduziu novas variedades de cerveja, mantendo viva a tradição de experimentação e excelência que Mathilde iniciou há mais de um século.
Perguntas frequentes (FAQ)
Quais harmonizações são recomendadas para uma Schneider Weisse Aventinus?
Devido ao seu complexo perfil de sabor com notas frutadas (tâmaras, figos, bananas) e seu alto teor alcoólico (8,2% ABV), a Aventinus é ideal para harmonizar com sobremesas intensas, como strudel de maçã ou tortas de chocolate amargo. Também é uma excelente acompanhante para queijos azuis fortes e pratos de caça ou carne bovina ensopada.
Onde está localizada atualmente a cervejaria Schneider Weisse?
Embora as raízes da cervejaria estejam profundamente ligadas a Munique (onde ainda se encontra o histórico Weisses Bräuhaus), a sede principal e a planta de produção da Schneider Weisse estão atualmente em Kelheim, Baviera. A cervejaria oferece visitas guiadas e degustações para os visitantes interessados em conhecer o processo de fabricação.
Qual é a diferença técnica entre uma Doppelbock comum e uma de trigo?
Uma Doppelbock comum é elaborada tradicionalmente com malte de cevada. A cerveja Aventinus é uma Weizenstarkbier (cerveja de trigo forte) ou Weizen-Doppelbock. A principal diferença está no uso de uma alta proporção de malte de trigo na receita, o que confere um corpo mais suave, uma espuma mais densa e um perfil de sabor único, tipicamente com ésteres frutados e fenólicos (como cravo e banana), ausentes nas Doppelbock de cevada.
Quais outras variedades de cerveja a família Schneider Weisse oferece?
A cervejaria inovou ao longo dos anos, mantendo a tradição de Mathilde. Outras variedades fortes notáveis incluem a Schneider Aventinus Eisbock (uma versão ainda mais concentrada e alcoólica da Aventinus, obtida por congelamento) e a Tap X, que são edições limitadas e experimentais, muitas vezes maturadas em barris, seguindo a filosofia de experimentação da sétima geração Schneider.
Que influência teve o historiador Johannes Aventinus na cultura bávara?
Johannes Aventinus (nascido em 1477) é considerado o “Heródoto da Baviera”. Foi um humanista e cronista fundamental que escreveu a Crônica da Baviera (Bayerische Chronik), uma das primeiras histórias detalhadas da região em língua alemã. Ao batizar a cerveja em sua homenagem, Mathilde Schneider buscou associar a bebida à rica história e tradição cultural da Baviera, um gesto que inicialmente gerou polêmica, mas que acabou prevalecendo.
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